Arroz de Pato: A Bela Sintra

A vizinhança dos Jardins sustenta há muito tempo a distinção de principal reduto da alta gastronomia de São Paulo. Rodeada por moradas de alto padrão da elite tradicional da cidade, reúne nas proximidades da Avenida Paulista um sem número de reputados restaurantes da cozinha internacional, de origem e contemporânea. Foi nesses arredores que conferimos nosso Prato Português desta semana. O Arroz de Pato do A Bela Sintra.

Fundado há oito anos por Carlos Bettencourt, um agitado português natural de Sousa, no Alentejo, a casa prima pela sofisticação, com decoração arejada e discreta e uma adega de mais de 150 rótulos. No cardápio, uma elegante mescla de clássicos portugueses com o frescor da moderna gastronomia lusa.

Simpático e sem cerimônias Bettencourt abre as portas ao menu, capitaneado pela chef alentejana Ilda Vinagre, há quatro anos à frente da cozinha da casa. Iniciamos a refeição com a riquíssima Salada de Rosbife de Perinhas ao Vinho, uma exclusividade de A Bela Sintra.

A entrada consiste em uma boa peça de filé mignon levemente selada ao óleo e sal na chapa, posta a congelar e depois cortada finamente à máquina em suculentas fatias de carpaccio. O prato é complementado como uma minipera cozida ao vinho tinto, folhas variadas e tiras longas de queijo parmesão, que acertam naturalmente o ponto de sal. Temos, então, um prato leve, mas consistente, na medida certa para despertar o apetite rumo à refeição principal.

Acompanhou-nos nesta etapa um delicado e seco vinho branco do Alentejo, safra 2009, que compensava um grau de álcool elevado oferecendo notas adocicadas e consistência equilibrada. Um casamento perfeito com o primeiro prato.

Em oposição ao frescor da entrada, o esperado Arroz de Pato chega à mesa mostrando toda a sua intensidade. Servido diretamente de uma pesada panelinha de alumínio, o prato revela, sem exageros na condimentação, a variedade de sabores que agrega em seus ingredientes.

A composição do arroz guarda as melhores características da receita tradicional portuguesa. Longamente cozido em água, o pato é desossado e desmanchado em lascas generosas, para depois ser levado ao preparo no arroz em seu próprio caldo, a fim de que preserve todo o sabor marcante da ave.

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A composição leva ainda um excelente chouriço português, bem curado, para marcar o gosto. Para decorar, nada mais que um punhado de azeitonas verdes descaroçadas, reforçando o caráter rústico da receita.

O resultado é um prato de espírito tradicional, com muita personalidade. Sem disfarce de especiarias, cada elemento se revela com integridade, em uma deliciosa fusão de sabores. A alta temperatura, preservada pela panelinha, torna-o ainda mais imponente e reconfortante.

Para apreciar este arroz em sua magnitude, nos foi oferecido um intenso tinto D.O.C. Reserva do Alentejo, safra 2009, à base de uvas Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet-Sauvignon. Alcóolico e muito encorpado, revela sabor equilibrado, com notas de madeira e taninos expressivos. Um vinho marcante, perfeito para um prato de aves nobres e carnes, como este que nos foi servido.

O desfecho com chave de ouro foi outra receita genuinamente portuguesa, uma sobremesa de Siricaia do Alentejo, semelhante a um singelo pudim de leite, porém muito cremosa. Iguaria para derreter na língua e desfrutar em pequenos bocados.

Enquanto boa parte da gastronomia portuguesa em São Paulo ainda se resguarda nas tradições da aldeia e o beira-mar, A Bela Sintra impõe estilo e personalidade com sua criativa mistura entre clássico e contemporâneo, o velho e o novo. Uma inspiradora experiência para os olhos e o paladar.

Restaurante A Bela Sintra
Rua Bela Cintra, 2325, Jardim Paulistano
São Paulo
(5511) 3891-0740/1090
www.abelasintra.com.br

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